A difícil missão de trazer autonomia para o squad

A autonomia no trabalho é uma oportunidade difícil de se conquistar, e em diversas empresas ela está em constante risco. O oposto da autonomia, o top-down, o microgerenciamento, torna o trabalho desgastante e faz o nível de energia e motivação do time abaixar. Portanto, a busca pela autonomia do time não deve nunca parar, pois ela trás a motivação necessária para que a squad atinja seus objetivos. Mas afinal, como conseguir ter altos níveis de autonomia no seu time?


A resposta é simples, e ela remete à habilidade mais requisitada de um Product Manager, a comunicação. Digo isso porque o problema da autonomia está ligado ao problema do alinhamento com os stakeholders. Quanto mais alinhado está o time, mais autonomia ele pode ter, pois tudo está transparente para a empresa, não existem dúvidas quanto ao objetivo do time, quanto ao que ele pretende fazer para atingir esses objetivos e como será medido o quão perto ele está de chegar até lá.


Os stakeholders são diversos, e eles estão espalhados pela empresa. São pessoas que serão beneficiadas ou impactadas negativamente pelo produto ou que podem fazer algum tipo de bloqueio no processo.


Por isso, o alinhamento deve começar desde a fase de concepção do produto, na etapa de discovery. E a forma de se fazer isso é chamar os stakeholders para participar dessa etapa de forma construtiva, para que eles já possam mostrar a visão deles e levantar impedimentos.


Por exemplo, vamos supor que na etapa de Discovery o time resolva fazer uma matriz CSD, é importante que os stakeholders participem, eles devem saber algo, afinal eles serão impactados pelo produto. Tenho certeza que colocando todos na mesma página desde o início do planejamento as chances do time começar com o pé direito são muito altas.


Após o início da execução, ou ao longo das sprints, é importante manter o alinhamento, pois se os stakeholders ficarem sem informações sobre o andamento do time eles irão ficar desamparados quanto a o que está acontecendo, criando um nível de tensão e questionamentos.


Para manter a autonomia do time nesse momento, sugiro que seja feito um Sprint Review a cada sprint. Esse evento consiste em apresentar para os stakeholders como estão as métricas do time e a novidade que foi lançada no produto, ou feature, para que ele tome conhecimento e possa inclusive testar, se possível, e dar feedbacks. Caso você tenha feito o alinhamento na concepção do produto, o stakeholder não ficará surpreso nesse momento, pois ele já estava ciente do contexto do produto que estava sendo feito pelo time.


Fazendo o Sprint Review o time estará sempre alinhado com os stakeholders, mostrando os aprendizados, as entregas e colhendo feedbacks. Isso permitirá que o time trabalhe com autonomia durantes as sprints.


Ao final de cada ciclo do produto, que pode ser alguma etapa de lançamento ou mesmo um período fixo, como trimestres, é interessante fazer um alinhamento final, que leve em conta tudo o foi feito no período, apresentando métricas, aprendizados e resultados gerais. Em alguns lugares esse evento é chamado de Reality Check.


De modo geral, o time tem que frequentemente evidenciar para os stakeholders o que faz sentido para o seu contexto, mostrar transparência e ter canais de comunicação abertos. Pois isso irá trazer o alinhamento, que é a base da autonomia, e é ela que irá tornar possível ter um time motivado e com energia para criar produtos incríveis para a sua empresa.


1 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo